Educação do Futuro e os Novos Espaços de Aprendizagem
- Kátia Ramos
- 9 de mar. de 2016
- 10 min de leitura
Abstract

The pedagogical model inverted classroom is becoming increasingly adept in higher education, to promote significant changes in education. By reversing the classroom, with the active methodology of Flipped Classroom, the process of teaching and learning is reframed, education becomes active, personalized, thereby creating effective educational opportunities for students, subject of their learning process, build knowledge, develop management skills, autonomy and communication, among other important skills in your life. This article aims to present the contributions of Flipeed Classroom method in teaching-learning process of the Singularidades Institute and serve as inspiration for educators who want to work with active methods and venture into active learning process with their students.
Resumo
O modelo pedagógico sala de aula invertida ganha cada vez mais adeptos no ensino superior, por promover mudanças significativas na educação. Ao inverter a sala de aula, com a metodologia ativa do Flipped Classroom, o processo de ensino-aprendizagem é ressignificado, a educação passa a ser ativa, personalizada, criando desta maneira oportunidades educativas efetivas para que o estudante, sujeito do seu processo de aprendizagem, construa conhecimentos, desenvolva habilidades de gestão, autonomia e comunicação, entre outras habilidades importantes para a sua vida. Este artigo tem por objetivo apresentar as contribuições do método sala de aula invertida no processo ensino-aprendizagem do Instituto Singularidades e servir de inspiração para educadores que queiram trabalhar com métodos ativos e se aventurar no processo de aprendizagem ativa com seus estudantes.
Palavras-chave
educação do futuro, sala de aula invertida, novos espaços de aprendizagem, ensino híbrido
Introdução
Os novos espaços de aprendizagem do século XXI, precisam contemplar oportunidades educativas para que os alunos desenvolvam um conjunto de capacidades para aprender, viver, conviver e trabalhar em um mundo cada vez mais complexo.
As competências cognitivas são amplamente conhecidas e valorizadas pelas instituições mundo afora como a capacidade de ler e escrever, analisar dados, realizar operações e memorizar informações. Focar a educação somente no desenvolvimento destas competências é limitar o potencial do aluno e contribuir para sua exclusão social e profissional.
A educação do futuro deve valorizar o potencial dos alunos e tê-los como protagonistas no processo ensino-aprendizagem, o professor mediador deverá orientá-los para uma formação integral, que contemple diferentes linguagens, habilidades cognitivas e sócio-emocionais e o uso das novas tecnologias como ferramenta de pesquisa, aprendizagem, comunicação e disseminação para que a aprendizagem seja, de fato, mais significativa.
Para Michael Moor, (2014) “Devemos nos preocupar em analisar, avaliar, ter o domínio do próprio aprendizado, trabalhar em equipe, conectar o conhecimento a problemas da vida real para que o aluno entenda por que ele é relevante”.
Os novos espaços para a educação do futuro precisam ser construídos tendo como base as metodologias ativas, pois esta nova forma de relacionar-se com o conhecimento implica diretamente na pró atividade dos alunos, que desenvolvem novas habilidades e assumem a autoria pela sua aprendizagem ao longo da vida.
Metodologia ativa proporciona novos espaços de aprendizagem
A metodologia Flipped Classroom, considerada um modelo de ensino híbrido, proporciona um novo espaço de aprendizagem, por ser uma metodologia ativa que ressignifica o papel do aluno, do professor e do processo ensino aprendizagem. O aluno passa a ser o protagonista do seu processo de aprendizagem e o professor como orientador da aprendizagem assume a mediação dos diálogos reflexivos que promovem o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa, investigativa e colaborativa.
Esta metodologia, por combinar atividades presenciais e atividades realizadas por meio do uso das tecnologias digitais de informação e comunicação, propõe ao aluno, que antes da aula, estude sobre uma temática específica, para que possa preparar-se melhor para a aula, com questionamentos e inquietações que serão o ponto de partida para as discussões em sala de aula com seus pares e professor.
Neste método a sala de aula passa a ser o lugar de aprendizagem ativa, o que antes se fazia na escola (explicação de conteúdo) agora se faz em casa e, o que se fazia em casa (atividades, pesquisa, etc.), agora se faz na escola de forma inovadora e com debate qualificado entre todos os sujeitos do processo de construção da aprendizagem. O aluno interage com o conteúdo apresentado digitalmente, o que possibilita estudar, pesquisar, formular hipóteses, analisar, refletir, levantar dúvidas e certezas antes de ir para a sala de aula, que passa a ser um espaço ativo e colaborativo para debates.
Para Michael Horn (2014:1) esta metodologia “...abre espaço para o pensamento crítico. As pessoas passam a dominar os assuntos a partir de aulas virtuais e aprofundam esse conhecimento com seus professores com perguntas importantes”.
O professor promove aos alunos um processo de aprendizagem continua, que acontece em diferentes espaços e possibilita ampliar seus estudos, conhecimentos, e ainda desenvolver habilidades de comunicação, gestão e autonomia. Neste novo formato de ensinar e aprender, os alunos são mediadores da aprendizagem e não detentores do conhecimento. Todos aprendem com todos e a aprendizagem além de ser compartilhada com os pares, passa a ter um maior significado para o aluno.
A aula passa a ser dialógica e interativa, invertendo assim a transmissão de conhecimento usada no ensino tradicional, onde o aluno tem um papel totalmente passivo, de receptor de informações. Esta abordagem pedagógica ressignifica o papel do aluno, do professor e da aprendizagem, à medida que coloca o foco do processo ensino-aprendizagem no aluno e não mais na transmissão de conteúdos passados pelo professor.
A sala de aula invertida propõe que o aluno se prepare antes da aula presencial, o tempo da aula pode ser dedicado ao aprofundamento da sua compreensão sobre o conhecimento adquirido, tendo a chance de recuperá-lo, aplicá-lo e com isso, construir novos conhecimentos. (VALENTE, 2014:92). A sala passa a ser um espaço para conectar conhecimentos e discutir questões relacionadas a vida e a prática pedagógica.
Esta nova proposta de aprendizagem, otimiza os novos espaços de aprendizagem, o aprender deixou de restringir-se a espaços fechados, únicos e com hora marcada e vai além do desenvolvimento de conteúdos, proporciona o desenvolvimento habilidades e competências.
O professor promove aos alunos um processo de aprendizagem continuo, que acontece em diferentes espaços e possibilita ampliar seus estudos, conhecimentos, e ainda desenvolver habilidades de comunicação, pensamento crítico, gestão e autonomia.
A forma tradicional de ensinar, transmitindo conteúdo em sala de aula, com explicações que partem da teoria para prática, quando estas são contempladas, para que o aluno memorize não tem espaço e nem eco nesta metodologia que proporciona e/ou organiza novos espaços de aprendizagem.
Novos espaços de aprendizagem ressignificam a educação do Instituto Singularidades
Com foco no desenvolvimento integral de alunos para formação de futuros profissionais do século XXI, o Instituto Superior de Educação de São Paulo, faculdade especializada na formação de futuros docentes, localizada no Brasil, em São Paulo e mais comumente conhecida por Instituto Singularidades, adotou nos seus cursos de graduação e licenciatura a metodologia Flipped Classroom, que coloca o aluno no centro do processo ensino-aprendizagem como protagonista e contribui para o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa, investigativa e colaborativa.
A implantação desta metodologia exigiu mudanças na prática do professor e dos alunos, na gestão, nos espaços físicos, que foram dimensionados de forma a propor trabalhos em equipe e, na dinâmica da sala de aula.
O primeiro ponto a ser modificado para a implementação do modelo de ensino híbrido é o entendimento dos papéis que professores e alunos poderão assumir nesse novo cenário. (BACICH, NETO e TREVISANI 2015:183). No Singularidades isto não foi diferente, professores e coordenadores participam de grupos de estudo com especialistas da área e têm formações permanentes para aprendizado e compartilhamento de boas práticas.
A adoção deste método nos cursos do Instituto Singularidades possibilitou aos coordenadores e docentes dos diferentes cursos abrirem espaços efetivos em seu currículo, de forma transdisciplinar, para desenvolver ações formativas que privilegiam o desenvolvimento das competências sócio emocionais e o trabalho em equipe, proporcionando uma aprendizagem colaborativa e significativa para o aluno.
O Instituto Singularidades tem trabalhado com esta abordagem em todos as turmas dos cursos de Pedagogia, Letras e Matemática. Para o coordenador do curso de Letras do Instituto Singularidades, Marcelo Ganzela, “É muito importante formarmos professores dentro de novos paradigmas. Mais do que falar sobre mudança, é preciso exercitar a mudança na formação de novos professores. Quando um estudante de Letras está tão seguro e à vontade ao ponto de trazer sugestões de materiais e temas dentro do planejamento do professor, percebemos que formar empoderando é possível”.
Esta metodologia além de focar e pautar a educação nas competências cognitivas, possibilita aos professores desenvolverem um conjunto de atividades diversificadas que promovem o desenvolvimento das competências sócio-emocionais. As atividades em sala de aula incentivam o compartilhamento, as trocas sociais entre os alunos e possibilitam ainda, formar alunos criativos, capazes de enfrentar desafios e encontrar soluções inovadoras para eles; formar alunos comunicativos, que saibam expressar e defender o seu ponto de vista, sem desrespeitar o outro e com argumentações que o levem a tomar decisões; alunos empreendedores; autônomos, solidários e competentes.
Para a aluna Mayara Valentin, do quinto semestre do curso de Pedagogia “o ensino hibrido proporcionou aos alunos a liberdade de encontrar na Pedagogia um jeito novo de explorar o conhecimento. Nós alunas do Singularidades, como futuras pedagogas, sendo a primeira turma a se formar nessa nova metodologia encontramos inúmeras dificuldade de principio, hoje encontramos a ânsia de trabalhar com educação de uma nova maneira, o trabalhar junto com os alunos e com m´todos ativos de aprendizagem”.
Ao trabalhar com a metodologia da sala de aula invertida, o papel do professor mudou, deixando de ser o único responsável por conduzir o processo de aprendizagem. Nesse modelo de interação/aprendizado, os alunos entram em cena com uma postura ativa, assumindo o protagonismo no seu processo de ensino aprendizagem, aprendendo e vivenciando novas metodologias para desenvolverem em sala de aula com seus futuros alunos uma aprendizagem significativa.
O professor reposicionou-se frente à sua função social e entendeu que as mudanças são necessárias para que a educação faça sentido e agregue valores e atitudes na vida dos alunos. Inovar exige quebra de paradigmas e disposição para ousar e fazer diferente, a docente do curso e Pedagogia do Singularidades Maria Estela Ferreira, acredita que “para poder ensinar os futuros professores precisam viver hoje, enquanto alunos, experiências de aprendizagem diferenciadas daquelas que aprenderam nos anos iniciais da própria escolarização. Precisam igualmente, aprenderem como podem ser ativos e responsáveis pelo processo de aprendizagem, como podem concretizar a já conhecida habilidade de aprender a aprender.”
No entanto, cabe ressaltar, que neste novo processo de trabalhar com metodologias ativas, o papel do professor continua sendo fundamental uma vez que o sucesso no processo de interatividade depende muito da intervenção dele diante dos grupos e das pessoas que participam na comunidade interativa (Gonçalves, 2006, p. 54).
A tecnologia é uma aliada neste processo de mudança por facilitar que a aprendizagem aconteça em diferentes momentos e espaços, por motivar e engajar os estudantes neste novo processo de ensino e aprendizagem e por proporcionar diferentes ferramentas e recursos que possibilitam aprendizagem, comunicação e disseminação.
Os alunos estão cada vez mais conectados as tecnologias digitais, configurando-se como a geração que estabelece novas relações com o conhecimento. Nesta metodologia as novas tecnologias, são usadas como um meio articulador, motivador e fomentador deste processo ensino aprendizagem.
As novas tecnologias trazem novas formas de operar a leitura e a escrita e novos modelos mentais. O pensamento passa a funcionar por meio de conexões, nossos alunos, os nativos digitais, são capazes de interagir com diversas tecnologias ao mesmo tempo e aprender de diferentes maneiras.
Para trabalhar com a metodologia Flipped Classroom professores e alunos contam com o Learning Management System – LMS MOODLE, para publicação de materiais, audiovisuais, debates em fóruns, pesquisas, publicação em WIKI, pesquisa e entrega de atividades, por oportunizar diferentes atividades e recursos para colaboração, comunicação e interação, possuindo uma interface amigável, intuitiva e de fácil navegabilidade.
A plataforma MOODLE foi customizada pela equipe técnica do Instituto em parceria com os docentes, de modo a tornar os processos de ensino-aprendizagem dinâmicos, interativos e integradores.
O Instituto Singularidades têm inovado seu método de ensino, procurando adequá-lo para que os estudantes possam explorar os avanços das tecnologias educacionais, motivando e engajando-os ativamente no processo de aprendizagem e melhorando a qualidade da educação.
A aluna Mayara Valentin afirma ainda que “Trabalhar com uma plataforma online de fácil navegabilidade, onde os alunos conseguem ter um estudo prévio da matéria, com certeza os mantém mais ativos em sala de aula, onde podem levantar questões e conseguir compartilhar com a turma novas ideias”.
A utilização desta metodologia possibilita dar o verdadeiro significado para sala de aula: um espaço de construção, de diálogo, de colaboração e socialização. O aluno passa a ter mais autonomia e responsabilidade, as atividades podem ser lideradas pelos próprios alunos, iniciando a discussão antes mesmo do momento da sala de aula.
Outro ponto importante é que com esta metodologia o professor passou a valorizar o aprendizado no ritmo de cada aluno, que pode aprender no seu próprio ritmo, tendo atenção mais individualizada do professor.
A sala de aula invertida ganha cada vez mais espaço no Instituto Singularidades, nos cursos de graduação e licenciatura para fortalecer uma aprendizagem dialógica e desafiadora, com atividades individuais e em pares, onde os alunos avaliam o que sabem, colaborando nos desafios encontrados, adquirindo múltiplas habilidades, dentre as quais as de gestão, pesquisa, interpretação de dados, convivência, colaboração, intercâmbio de ideias, negociação e resolução de problemas.
“A interação social denota a importância da relação entre as pessoas e o ambiente na construção de processos de aprendizagem. O conhecimento é visto como uma construção social e, por isso, o processo educativo é favorecido pela participação social em ambientes virtuais que propiciem interação e colaboração” (CARMO, RAMOS, SANADA e SILVA, 2014). O aluno possa aprender mais e melhor de forma a ter uma aprendizagem significativa que sirva para sua vida.
O estudante participa do processo de construção do seu conhecimento, é ele quem direciona as discussões, dando sentido ao processo de aprendizagem colaborativa. Para concretizar esta prática, o professor, intencionalmente sai de cena como principal ator e abre espaços para a emergência da ação de outros atores sociais, os alunos, em processo de coautoria. (MEDEIROS, 2002).
A mudança para adoção desta metodologia exigiu envolvimento da gestão pedagógica dos coordenadores dos diferentes cursos para orientação e acompanhamento dos professores e alunos na implantação desta nova abordagem. Nota-se pelos estudos realizados que o acesso dos alunos aos recursos e atividades disponibilizados na plataforma Moodle cresceu de forma gradativa, assim como a cultura do professor organizar materiais e dispor antecipadamente aos seus alunos.
A metodologia Flipped Classroom ressignifica a educação hoje no Instituto Singularidades e proporciona novos espaços de aprendizagem, e esta ressignificação passa por entender o aluno de hoje, por entender a importância de trabalhar a diversidade, por abrir espaços efetivos de diálogo e construção colaborativa, promover a cultura digital com o uso das novas tecnologias digitais, por trabalhar em parceria com gestores, alunos e professores e ousar e fazer diferente em sala de aula.
Referências Bibliográficas
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