A virtualização das relações sociais: autenticidade e transparência na rede
- Katia Ramos
- 9 de mar. de 2016
- 4 min de leitura

“A diversidade de ferramentas no ciberespaço diminui cada vez mais a distância entre as pessoas. Muitos dos compartilhamentos na rede já permitem ao usuário transmitir sua emoção, possibilitando desta maneira transpor as emoções” (Ramos, 2015).
Na nova geração da WEB o usuário, deixa de ser o expectador do mundo virtual, o consumidor passivo de informações, que sem nenhuma interação assistia aos vídeos ou lia reportagens e notícias publicadas na rede. Nesta nova geração, ele é o sujeito protagonista nas redes sociais, que relaciona-se com os outros, compartilha, aprende e produz conhecimentos.
Para Lévy (2014:120) "todas as mensagens encontram-se mergulhadas em um banho comunicacional fervilhante de vida, incluindo as próprias pessoas, do qual, o ciberespaço surge, progressivamente como o coração".
As redes sociais cada vez mais são usadas como ferramentas de interação e integração social, virtualizando as relações sociais. A questão da adaptação neste espaço, em que as relações sociais virtualizadas, é eminente e, porque não dizer concreta, tornando-se cada dia mais desafiadora. Como adaptar-se a esse lugar seu e ao mesmo tempo de todos?
A virtualização das relações sociais no ciberespaço passa a ser a nova forma de comunicação e interação de diferentes atores da vida social, que muitas vezes acabam se encontrando mais no mundo virtual do que no mundo presencial. Assim como as relações no mundo físico, as relações virtualizadas devem ser permeadas pela ética, pelo respeito a si e ao próximo, relações pautadas em valores humanos.
Para Gallo (2014:98) “este processo que estamos assistindo e do qual somos, ao mesmo tempo protagonistas, promove alterações no humano, que faz morrer um certo tipo de ser humano, provocando a emergência de um novo homem”.
Um novo homem que passa a ter também uma identidade digital. Para Teixeira (2010) “a identidade digital é um prolongamento da identidade pessoal, ser também será ser no mundo em rede, assim serão autênticas e verdadeiras as faces digitais que nos mostram como habitamos esse mundo”.
A questão da autenticidade e transparência nas redes sociais é considerada como um desafio associado à virtualização das relações sociais. Não podemos esquecer que esta autenticidade e transparência nas relações sociais também perpassam o sentido ético da vida dentro e fora do espaço virtual.
As tecnologias são produtos de uma cultura e de uma sociedade ativa e produtiva. "As verdadeiras relações, portanto, não são criadas entre "a" tecnologia (que seria da ordem da causa) e "a" cultura (que sofreria os efeitos), mas sim entre um grande número de atores humanos, que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas" (Lévy, 2014:23).
O vídeo dos jovens chineses, Chinese Backstreet Boys - That Way, disponível em: [https://www.youtube.com/watch?v=N2rZxCrb7iU] é um fenômeno alavancado pela rede social Youtube, com aproximadamente 15.000.000 de visualizações.
Seria o espaço virtual por vezes, mais humano do que o espaço real, deixando as pessoas mais à vontade para expor seus pensamentos, emoções e ideias?
Quem são estes jovens chineses fora das redes sociais? Tiveram eles a coragem de ousar e libertar-se dando um maior sentido à sua própria vida ou estariam apenas encenando para milhões de internautas?
Para Teixeira (2010) “a identidade digital é autêntica se for transparente”. Estariam os jovens sendo transparentes? Como garantir a qualidade das informações na rede?
Este mundo virtual nos traz muitas indagações e ao mesmo tempo nos leva a inúmeras reflexões morais e éticas que, com certeza, ultrapassam o mundo virtual.
Para (Lévy, 2014:130)"A moral implícita da comunidade virtual é em geral a da reciprocidade... A recompensa (simbólica) vem, então, da reputação de competência que é construída a longo prazo na "opinião pública" da comunidade virtual"
A mesma rede que incentiva e valoriza os processos de aprendizado, partilha e produção, acaba facilitando a fraude intelectual, o plágio, pelos seus inúmeros recursos oferecidos.
A rede é um espaço de pluralidade, de diversidade, um espaço aberto que tem a voz e a cara da comunidade. Uma postura ética é sempre reconhecida pela comunidade, pois é ela quem valida a legitimidade e confere a credibilidade as informações que são disponibilizadas na rede.
A qualidade das informações na rede, seus conteúdos e recursos digitais, devem ser validados e autenticados inicialmente pelo seu produtor, mas são os usuários da rede que validam e autenticam pela sua durabilidade, pela avaliação contínua, pelo sentido e coerência do produto. É preciso que o usuário recorra a outros meios de comunicação e a diferentes fontes de pesquisa para validar e ter certeza sobre as informações pesquisadas.
O espaço virtual, assim como o físico implica em relações morais e éticas. No ciberespaço encontramos um dilúvio de informações, mas, como bem apontado por Lévy (2014:15) "Devemos aceitá-lo como nossa nova condição. Temos que ensinar nossos filhos a nadar, a flutuar, talvez a navegar".
Referências Bibliográficas:
LÉVY, Pierre (2014) Cibercultura. São Paulo: Editora 34.
TEIXEIRA, António (2010). Autenticidade e transparência na rede: Reinventando o debate sobre o outro que eu também sou: Disponível em: [http://pt.slideshare.net/MPeL/my-m-pelantonioteixeira], acessado em 29/12/2015.
TEIXEIRA, António e FERREIRA, Maria Luísa (2014) Ensinar aprender filosofia no mundo digital, Portugal: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Disponível em: [http://elearning.uab.pt/pluginfile.php/339896/mod_resource/content/1/Filosofia_num_mundo_digital.pdf], acessado em 29/12/2015.
RAMOS, Katia (2015) Cibercultura. Blog disponível em: [http://katia8410.wix.com/cibercultura], acessado em 29/12/2015.




Comentários