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A Inversão da Sala de Aula Ressignifica o Ensino e a Aprendizagem

  • Foto do escritor: Katia Ramos
    Katia Ramos
  • 9 de mar. de 2016
  • 7 min de leitura

Resumo

O modelo pedagógico sala de aula invertida ganha cada vez mais adeptos pelo mundo afora, por promover mudanças significativas na educação. Neste método a sala de aula passa a ser o lugar de aprendizagem ativa, o que antes se fazia na escola (explicação de conteúdo) agora se faz em casa e, o que se fazia em casa (atividades, pesquisa, etc.), agora se faz na escola. O aluno interage com o conteúdo apresentado digitalmente, o que possibilita estudar, pesquisar, formular hipóteses, analisar, refletir, levantar dúvidas e certezas antes de ir para a sala de aula, que passa a ser um espaço ativo e colaborativo de debates. Ao inverter a sala de aula, o processo de ensino-aprendizagem é ressignificado, a educação passa a ser personalizada, criando desta maneira oportunidades educativas efetivas para que o aluno, sujeito do seu processo de aprendizagem, construa conhecimentos, desenvolva habilidades de gestão, autonomia e comunicação, entre outras habilidades importantes para a sua vida. Este artigo tem por objetivo apresentar as contribuições sobre do método sala de aula invertida no processo ensino-aprendizagem e servir de inspiração para educadores que queiram aprimorar a prática pedagógica e se aventurar na aprendizagem colaborativa e na interação ativa com seus alunos.

Palavras-chave

sala de aula invertida, aprendizagem ativa, tecnologias educacionais, ensino híbrido

Abstract

The pedagogical model inverted classroom gaining more fans around the world, to promote significant changes in education. In this method the classroom becomes the place of active learning, which before was done at school (content explanation) now do at home and what was being done at home (activities, research, etc.), now is done at school. The student interacts with the content displayed digitally, enabling study, research, formulate hypotheses, analyze, reflect, raise doubts and certainties before going to the classroom, which happens to be an active and collaborative space for debates. By reversing the classroom, the process of teaching and learning is reframed, education becomes personalized, thereby creating effective educational opportunities for students, subject of their learning process, build expertise, develop management skills, autonomy and communication, among other important skills for life. This article aims to present the contributions of the inverted classroom method in teaching-learning process and serve as inspiration for educators who want to improve pedagogical practice and venture into collaborative learning and active interaction with their students.

Introdução

A sala de aula invertida ou flipped classroom é uma metodologia ativa que coloca o aluno no centro do processo ensino-aprendizagem como protagonista e promove o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa, investigativa e colaborativa.

Esta nova proposta de aprendizagem é considerada um modelo do ensino híbrido, por combinar atividades presenciais e atividades realizadas por meio do uso das tecnologias digitais de informação e comunicação, propondo ao aluno, que antes da aula, estude sobre uma temática específica, para que possa preparar-se melhor para a aula, com questionamentos e inquietações que serão o ponto de partida para as discussões em sala de aula com seus pares e professor.

A aula passa a ser dialógica e interativa, invertendo assim a transmissão de conhecimento usada no ensino tradicional, onde o aluno, como um ser passivo, escuta o professor, faz atividades e estuda em casa para a prova.

Esta abordagem pedagógica ressignifica o papel do aluno, do professor e da aprendizagem, à medida que coloca o foco do processo ensino-aprendizagem no aluno e não mais na transmissão de conteúdos passados pelo professor. Vai além do desenvolvimento de conteúdos e proporciona o desenvolvimento habilidades e competências.

Para Michael Moor, (2014) “Devemos nos preocupar em analisar, avaliar, ter o domínio do próprio aprendizado, trabalhar em equipe, conectar o conhecimento a problemas da vida real para que o aluno entenda por que ele é relevante”.

A sala de aula invertida propõe que o aluno se prepare antes da aula presencial, o tempo da aula pode ser dedicado ao aprofundamento da sua compreensão sobre o conhecimento adquirido, tendo a chance de recuperá-lo, aplicá-lo e com isso, construir novos conhecimentos. (VALENTE, 2014:92) A sala passa a ser um espaço para conectar conhecimentos e discutir questões relacionadas a vida e a prática pedagógica.

O professor promove aos alunos um processo de aprendizagem continuo, que acontece em diferentes espaços e possibilita ampliar seus estudos, conhecimentos, e ainda desenvolver habilidades de comunicação, pensamento crítico, gestão e autonomia. Para Michael Horn (2014:1) esta metodologia “...abre espaço para o pensamento crítico. As pessoas passam a dominar os assuntos a partir de aulas virtuais e aprofundam esse conhecimento com seus professores com perguntas importantes”.

Neste novo formato de ensinar e aprender, os educadores são mediadores da aprendizagem e não detentores do conhecimento. Todos aprendem com todos e a aprendizagem além de ser compartilhada com os pares, passa a ter um maior significado para o aluno.

As atividades em sala de aula incentivam o compartilhamento, as trocas sociais entre os alunos. Essa colaboração entre alunos e a interação do aluno com o professor são aspectos fundamentais do processo de ensino e de aprendizagem que a sala de aula tradicional não incentiva (VALENTE 2014:93).

O aluno passa a ter mais autonomia e responsabilidade, pode aprofundar a temática em estudo por conta própria, de acordo com seu interesse, buscando outras fontes de informação para qualificar ainda mais sua participação no debate em sala de aula e possibilitar maior conhecimento. Outro ponto importante é que as atividades podem ser lideradas pelos próprios alunos, iniciando a discussão online antes mesmo do momento da sala de aula.

Um fator relevante é que com esta metodologia o professor consegue identificar os desafios de aprendizagem de cada aluno, passa a valorizar o aprendizado no ritmo de cada aluno, que aprende no seu próprio ritmo, tendo atenção mais individualizada do professor. O professor trabalha as dificuldades dos alunos, ao invés de apresentações sobre o conteúdo da disciplina (EDUCAUSE, 2012).

O uso de tecnologias educacionais para acesso à informação, resolução de problemas e colaboração entre os alunos, contribui significativamente para o processo da inversão da sala de aula e motiva os para uma aprendizagem mais significativa, por possibilitar pesquisa e compartilhamento com os pares.

Escolas que inovam e trabalham com a sala de aula invertida

Metodologias ativas, como a sala de aula invertida, vem sendo adotada em escolas da educação básica e Universidades nos Estados Unidos, Europa e América do Sul.

Nos Estados Unidos, as cidade de Nova York, Houston e Miami, entre outras, estão fazendo dessa metodologia o centro de sua estratégia de transformação. A Universidade de Harvard, trabalha com a metodologia sala de aula invertida, em algumas disciplinas.

No Brasil esta inovação também esta sendo adotada com sucesso em colégios particulares, como o Colégio Dante Alighieri e em faculdades como o Instituto Superior de Educação em São Paulo, o Instituto Singularidades. O Singularidades tem trabalhado com esta abordagem em todos as turmas dos cursos de Pedagogia, Letras e Matemática. No Paraná, quatro instituições de ensino superior hoje estão ligadas ao Consórcio Sthem, coordenado pelo Instituto Laspau, da Universidade de Harvard.

Para o coordenador do curso de Letras do Instituto Singularidades, Marcelo Ganzela, “É muito importante formarmos professores dentro de novos paradigmas. Mais do que falar sobre mudança, é preciso exercitar a mudança na formação de novos professores. Quando um estudante de Letras está tão seguro e à vontade ao ponto de trazer sugestões de materiais e temas dentro do planejamento do professor, percebemos que formar empoderando é possível”.

Estas universidades têm inovado seus métodos de ensino, procurando adequá-los para que possam explorar os avanços das tecnologias educacionais, motivar e engajar os jovens ativamente no processo de aprendizagem e melhorar a qualidade da educação.

Como inverter a sala de aula

A implantação da metodologia sala de aula invertida exige mudanças na prática do professor, na gestão e na dinâmica da sala de aula. O primeiro ponto a ser modificado para a implementação do modelo de ensino híbrido é o entendimento dos papéis que professores e alunos poderão assumir nesse novo cenário. (BACICH, NETO e TREVISANI 2015:183)

O professor precisa se reposicionar frente a sua função social e entender que as mudanças são necessárias para que a educação faça sentido e agregue na vida dos jovens. Inovar exige quebra de paradigmas e disposição para ousar e fazer diferente, a docente do curso e Pedagogia do Singularidades Maria Estela Ferreira acredita que “para poder ensinar os futuros professores precisam viver hoje, enquanto alunos, experiências de aprendizagem diferenciadas daquelas que aprenderam nos anos iniciais da própria escolarização. Precisam igualmente, aprenderem como podem ser ativos e responsáveis pelo processo de aprendizagem, como podem concretizar a já conhecida habilidade de aprender a aprender.”

No processo de mudança muitos aprendizados serão construidos, é preciso investir na formação do professor, planejar a mudança de forma gradual e criar novos ambientes em sala de aula.

A mudança não ocorre de um dia para outro e não existe receita pronta. A tecnologia é uma aliada neste processo de mudança por facilitar que a aprendizagem aconteça em diferentes momentos e espaços e ainda por motivar e engajar os alunos neste novo processo de ensino e aprendizagem.

Conclusões

Mais do que estudar em casa a sala de aula invertida é uma metodologia ativa que ressignifica o papel do aluno, do professor, do processo ensino-aprendizagem e propicia uma educação que contemple a dimensão social e cultural.

O aluno passa a ser o protagonista do seu processo de aprendizagem e o professor como orientador da aprendizagem assume a mediação dos diálogos reflexivos que promovem o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa, investigativa e colaborativa.

A sala de aula invertida coloca o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem para que possa com seu potencial, desenvolver e/ou aprimorar habilidades e competências que sejam importantes para a sua vida e para a gestão de sua aprendizagem permanente.

A utilização desta metodologia possibilita dar o verdadeiro significado para a sala de aula: um espaço de construção, de diálogo, de colaboração e socialização. A sala de aula nesta nova abordagem abre espaços efetivos para a criação de uma rede cooperativa de alta interação, que possibilita o debate e a argumentação. Tendo em vista a interação e a dinâmica que envolve, a participação se manifesta como um processo ativo e não linear, a aula fica mais interessante para o aluno e a aprendizagem mais significativa.

Referências

BACICH, L. NETO, A. TREVISANI, F. (Org.) (2015) Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso.

EDUCAUSE Things you should know about flipped classrooms. (2012) Disponível em: http://net.educause.edu/ir/library/pdf/eli7081.pdf. Acessado em janeiro de 2016.

GOMES, P. Ensino híbrido é o único jeito de transformar a educação. (2014) Portal Porvir. Entrevista a Michael Horn. Disponível em: http://porvir.org/ensino-hibrido-e-unico-jeito-de-transformar-educacao/20140220/. Acessado em janeiro de 2016.

VALENTE, J. A. Aprendizagem ativa no ensino superior: A proposta da sala de aula invertida. (2014) Disponível em http://www.unifebe.edu.br/site/docs/arquivos/noticias/2014/valente.pdf. Acessado em janeiro de 2016.

VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de aula invertida. (2014) Educar em Revista, Edição Especial n. 4. Curitiba: Editora UFPR. Disponível em:

http://www.scielo.br/pdf/er/nspe4/0101-4358-er-esp-04-00079.pdf. Acessado em janeiro de 2016.

Bibliografia Consultada

BERGAMAN, J. e SAMS, A. Flip Your Classroom: Reach Every Student in Every Class Every Day. (2012) Disponível em http://www.amazon.com/Flip-Your-Classroom-Reach-Student/dp/1564843157 . Acessado em janeiro de 2016.

HORIZON REPORT. Panorama Tecnológico NMC 2015 Universidades Brasileiras. Disponível em: http://cdn.nmc.org/media/2015-nmc-technology-outlook-brazilian-universities-PT.pdf. Acessado em janeiro de 2016.


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Blog elaborado para o curso de Mestrado Pedagogia do Elearning - 2015 por Kátia Ramos

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